Predador de plantão. Foi o que aconteceu com Ivan, leitor do OMAAT, dentro de um lounge da Turkish Airlines.
Era 4 de julho de 2016. Ele estava viajando para fora de Kayseru com a esposa e dois filhos. Classe empresarial nacional. Segurança separada. Regras separadas. Ou assim você pensa.
Ele precisava de ajuda com um voo de conexão. O agente não estava lá. Em vez disso, um segurança masculino se aproximou dele.
Primeiro toque. Ivan diz que foi um acidente. Ou pelo menos ele queria que fosse. Ele disse ao guarda que não precisava do banheiro três vezes. O cara continuou se aproximando. Olhando ingressos, talvez. Ou apenas olhando para ele.
Uma mão no bilhete. O outro perto da virilha. Um dedo pressionou sua área privada.
Ivan não gritou. Ele não lutou. Ele pensou: Basta organizar o voo. Não faça cena. Vá para a praia. A coisa toda levou dois minutos. O verdadeiro agente apareceu. O problema foi resolvido.
Ivan voltou para sua família. Não disse nada. Ele me disse mais tarde que retrospectiva é uma merda – ele deveria ter falado. Mas no momento, ele só queria voar.
O Segundo Encontro
Quinze minutos antes do embarque. Pausa para ir ao banheiro.
O layout é complicado. É necessário sair da área lounge para chegar às instalações, passando pelo posto de segurança antes de entrar nos banheiros. Ivan saiu.
Ele sentiu olhos sobre ele.
O guarda masculino se levantou. Caminhou em direção à porta do banheiro. Apoiado aberto. Projeto universal. Ivan entrou.
Cinco segundos depois, o guarda o seguiu. Fechei a porta.
Clique.
Dois mictórios. Duas barracas. O guarda verificou as barracas primeiro. Vazio. Ele foi até o mictório ao lado de Ivan. A divisória só sobe até a metade.
Ele apoiou o queixo na divisória.
Olhando para baixo. Bem na virilha de Ivan.
Ivan congelou. Sem contato visual. Apenas um homem parado ali, preso em seu próprio pânico. Como você sai de uma sala da qual não quer sair?
Vinte segundos se passaram.
Um estranho entrou. O guarda fechou o zíper imediatamente. Fingiu ir lavar as mãos. Saiu como se fosse o dono do lugar.
Ivan ficou lá. Não tinha usado as instalações. Apenas apavorado.
Por que não há relatório?
Ele voltou. Disse a sua esposa. Ela estava furiosa. Ela ofereceu seu filho de treze anos como guarda-costas para uma segunda tentativa. Ivan recusou. Se o cara fosse tão ousado no salão principal, ele não o deixaria chegar perto do filho.
Por que ele não apresentou queixa?
Ele me disse: “Não estamos na América”.
Ele conhecia os riscos. Acusação errada. Incompatibilidade cultural. Possível detenção. Ele prefere sofrer a indignidade do que arriscar uma cela antes das férias. Nos EUA? Ele teria confrontado o cara naquele momento. Na Turquia, ele manteve a boca fechada.
Acho que ele lidou com isso melhor do que a maioria. O pânico é alto. A ação é confusa. Ele escolheu o silêncio para continuar a viagem.
Mas aqui está a pergunta que o incomoda:
Por que ele?
Ivan é afro-americano. Não posso ignorar esse detalhe. Será que a cor de sua pele despertou algum fascínio doentio em um guarda com muito poder e pouca supervisão? É a única teoria que permanece. Este não foi um assédio aleatório. Foi direcionado. Predatório.
O guarda provavelmente estará de volta ao trabalho amanhã. Provavelmente tem outro passageiro na fila.
Estamos escrevendo agora. Porque se não dissermos nada, acontece de novo.
Não sei se as autoridades turcas se preocupam com uma postagem de blog do outro lado do mundo. Mas talvez o próximo cara não fique em silêncio. Ou talvez sim.
Quem sabe?

























