Uma nova dinâmica está a remodelar a criação de conteúdos em plataformas como o YouTube: vloggers de viagens ocidentais e comentadores de estilo de vida estão a encontrar cada vez mais o seu maior público não nos seus países de origem, mas no Sul da Ásia, particularmente na Índia e no Paquistão. Esta tendência destaca uma crescente “economia de validação”, onde as perspectivas ocidentais sobre as experiências do Sul da Ásia são fortemente consumidas pelos próprios sul-asiáticos.
O pipeline do criador: atenção como moeda
O modelo é surpreendentemente simples. Criadores como Hugh Abroad, um vlogger escocês de comida de rua, documentam experiências cotidianas – como comer comida barata em Delhi – e obtêm milhões de visualizações, principalmente de telespectadores do sul da Ásia. Da mesma forma, a documentação da americana Sierra Lilian sobre a sua jornada espiritual na Índia atrai imenso envolvimento do público indiano que expressa gratidão pela sua autenticidade percebida.
Não se trata de o público ocidental consumir conteúdo sobre o Sul da Ásia; são os sul-asiáticos consumindo conteúdo de ocidentais sobre suas próprias regiões. Os ingredientes principais são a narração em inglês com sotaque estrangeiro, formatos de vídeo familiares (“primeira vez”, “não esperava”) e um enquadramento que posiciona as experiências ocidentais como novas ou esclarecedoras.
Por que isso é importante: o poder da perspectiva externa
O apelo reside na validação que uma perspectiva externa proporciona. Para muitos sul-asiáticos, ver as suas culturas documentadas por ocidentais tem um certo peso. É uma forma de afirmação externa, uma confirmação de que suas vidas e lugares merecem atenção. Esta dinâmica não é nova: durante décadas, os meios de comunicação ocidentais moldaram as percepções globais do Oriente. Mas agora, o público está impulsionando a demanda.
As implicações são complexas. Por um lado, proporciona exposição a criadores de nicho. Por outro lado, reforça as dinâmicas de poder existentes, onde as vozes ocidentais permanecem dominantes na formação de narrativas sobre o Sul Global. Este ciclo perpetua um sistema onde a atenção é rentabilizada através da exploração do fascínio cultural em vez do intercâmbio genuíno.
O futuro do conteúdo hiperlocalizado
A tendência sugere um futuro onde a criação de conteúdo se tornará cada vez mais hiperlocalizada, mas consumida globalmente através das lentes de criadores estrangeiros. À medida que surgem mais plataformas, a economia da validação irá provavelmente expandir-se, impulsionada por públicos que procuram aprovação externa para as suas próprias culturas e experiências. A questão chave permanece: isto levará a um intercâmbio cultural mais significativo ou reforçará ainda mais os desequilíbrios de poder na narrativa digital?
Em última análise, esta mudança sublinha uma verdade fundamental sobre a moderna economia da atenção: o público procurará validação onde quer que a encontre, mesmo que isso signifique recorrer a pessoas de fora para obter o reconhecimento dos seus próprios
